Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas

Alfabetização e Letramento, Esquemas de Fonoaudiologia

Resumo Prática de fala Alfabetização Mariana

Tipologia: Esquemas

2024

Compartilhado em 27/04/2025

alhandra-oliveira
alhandra-oliveira 🇧🇷

2 documentos

1 / 28

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
MÉTODO
FÔNICO
O MÉTODO FÔNICO É UM
RETROCESSO?
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16
pf17
pf18
pf19
pf1a
pf1b
pf1c

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Alfabetização e Letramento e outras Esquemas em PDF para Fonoaudiologia, somente na Docsity!

MÉTODO

FÔNICO

O MÉTODO FÔNICO É UM

RETROCESSO?

Por que o método fônico é

combatido e evitado na

educação brasileira?

6 mentiras que te contaram

sobre o método fônico

CONFIRA AS RESPOSTAS

NESTE E-BOOK!

O método fônico é um dos métodos de alfabetização. Entre eles há:

i) métodos sintéticos que podem ser o fônico, silábico, alfabético ou de soletração, neles o início da alfabetização parte das menores unidades da palavra – fonemas, letras, sílabas em direção aos morfemas, palavras, frases, textos, ou;

ii) métodos analíticos, também denominados de métodos globais que podem ser por palavração, sentenciação ou textos/contos que se dão do todo para as partes – nesses métodos a linguagem funciona como um todo significativo e que a criança primeiro percebe esse todo e só depois procede à análise das partes (Benedetti, 2020). Os métodos são um meio para se alcançar a alfabetização, não o fim em si. A finalidade da alfabetização é a compreensão e produção de textos. Sendo que para se chegar a esse fim é preciso primeiramente aprender a ler, ou seja, adquirir o domínio do sistema de escrita alfabético e a partir disso ser capaz de decodificar palavras (ler) e codificar (escrever) e o método de alfabetização contribui para essa aquisição.

O método fônico é um retrocesso?

Por que o método fônico é combatido e evitado na educação brasileira?

Sobre isso há duas correntes teóricas que defendem formas diferentes de aquisição do domínio da leitura e são elas:

  • Há quem defenda que se aprende a ler, lendo e que, portanto, se adquire o domínio do sistema alfabético naturalmente como resultado do amadurecimento cerebral respaldado pelas interações sociais do indivíduo com o meio em que ele se relaciona. O que já foi refutado pela ciência cognitiva de leitura. Um estudo dos pesquisadores Bennet e Sally Shaywitz, da Universidade de Yale dos Estados Unidos, acompanharam no decorrer de vários anos, centenas de crianças e identificaram que à medida que se melhora a leitura, ou seja, como um reflexo da aprendizagem e não de um simples efeito da maturação cerebral, algumas regiões do cérebro identificadas pela maior habilidade em leitura vão aumentando e isso depende mais do nível de leitura alcançada pela criança do que de sua idade. Não basta para a criança a maturação cerebral advinda da idade e simples exposição ao ambiente letrado, primeiro precisa aprender a ler (esse trabalho foi citado no livro “Os neurônios da leitura” de Stanislas Deahene). Nas últimas décadas o Brasil sofreu influência de duas teorias que consideravam a leitura como uma construção de hipóteses levantadas pelas próprias crianças de acordo com o seu desenvolvimento e interação com a linguagem, dada através de um ambiente letrado, são elas: o movimento Whole Language que refere-se a um método global de alfabetização e foi uma das teorias que serviu como fundamentação e reforço para as práticas atualmente disseminadas e no Brasil, a Psicogênese da Língua Escrita.
  • Há quem defenda que para ler, a criança precisa aprender a ler e para isso precisa ser sistematicamente ensinada. Essa corrente está de acordo com as descobertas das últimas décadas da ciência cognitiva da leitura que aponta que a aquisição do domínio do sistema alfabético não é natural e que a melhor forma de ensinar uma criança a ler é por meio da relação grafema-fonema ou popularmente conhecida como relação letra-som (Dehaene, 2012). Pois o alvo do sistema alfabético são os fonemas visto que o português é um idioma fonético representado por um alfabeto. Os gregos aperfeiçoaram o alfabeto fenício e determinaram que os símbolos da escrita não deveriam representar os elementos de significado, nem mesmo sons complexos como sílabas inteiras, mas sim, classes de menores unidades sonoras da língua falada, os fonemas, e conceberam uma notação escrita capaz de transcrevê-los. Assim, a primeira corrente citada se baseia na aquisição do sistema alfabético como algo natural que ocorrerá a partir das relações do indivíduo com o meio e a maturação cerebral, e prioriza o acesso ao significado e na compreensão da leitura, que conforme citado anteriormente, é a finalidade da alfabetização e para isso adota métodos globais. Tais métodos estão concentrados no significado da leitura e o trabalho fonológico de base foi substituído pelo trabalho discursivo e pretendendo tornar a alfabetização um processo mais “significativo” e motivador para os alunos, passou-se a valorizar o sentido das palavras e a não a relação letra-som (Benedetti, 2020). Enquanto que a segunda corrente, por defender o ensino explícito da relação letra-som faz-se valer de métodos sintéticos que instruam sistematicamente quanto a isso. Na Figura 1 observa-se o resumo dessa primeira parte do texto; de um lado os métodos analíticos que se baseiam em teorias de que a aprendizagem da leitura é inata e do outro, os métodos sintéticos que defendem a aquisição da leitura por instrução explícita.

As teorias subsequentes surgiram a partir dessa concepção e ficou cada vez mais necessário explicações científicas que validassem essas ideias levantadas por educadores proeminentes do século XVIII e XIX. No final do século XIX o americano James Cattel, estudante do pesquisador em Psicologia, Wundt, da Universidade de Leipzig, Alemanha, examinou a forma com que as pessoas veem as palavras que leem e descobriu que os adultos reconheciam as palavras sem pronunciar as letras. Assim, concluiu que “as palavras não são lidas por meio da composição das letras, mas percebidas como ‘figuras completas de palavras’ e decidiu que pouco se avança ao ensinar à criança os sons e letras na primeira fase da alfabetização. Uma vez que elas podiam reconhecer palavras rapidamente, devia-se ensiná-las a ler mostrando- lhes palavras inteira e dizendo-lhes o seu significado. Esta descoberta levou à adoção do método de ‘leitura a primeira vista nos Estados Unidos’ (Lionni, 2020), incentivando um método analítico ou global de alfabetização. No entanto, as descobertas de Cattel aplicavam-se a adultos que já sabiam ler, não a crianças em processo de alfabetização. No século XX, em 1930, Ovide Decroly, pesquisador belga, incorporou essas ideias no seu método “ideovisual” e teve o assentimento de Jean Piaget. Assim, desde então os métodos analíticos ou global de alfabetização se sobrepuseram aos métodos sintéticos que foram sentenciados como métodos ultrapassados. No entanto, atualmente com o avanço da ciência cognitiva de leitura o método fônico não pôde mais ser ignorado, quando diversas pesquisas evidenciaram que a instrução fônica é um dos pilares que garantem a aprendizagem eficaz da leitura, uma ampla revisão bibliográfica foi feita recentemente e está disponível em português no Relatório Nacional da Alfabetização Baseada em Evidências (RENABE, 2021).

Diante de tais evidências é inaceitável críticas de que a instrução fônica através do método fônico de alfabetização, que tem como uma das bases a consciência fonêmica, é torturante, mecânica ou cansativa para o aluno. Há uma grande desconfiança na instrução explícita dos sons das letras e da consciência fonêmica motivada pelo receio de que a leitura seja reduzida a exercícios fonêmicos maçantes e rotineiros. Ninguém está defendendo aulas rotineiras e enfadonhas, em que as crianças permaneçam imóveis repetindo fonemas. Mas a ciência mostra claramente que, quando o ensino de leitura é organizado em torno de uma progressão definida de conceitos sobre como a fala é representada pela escrita, as crianças se tornam leitores melhores. E são exercícios de consciência fonêmica que formam a base da instrução fônica que ajuda os alunos a adquirirem a habilidade de decodificar rapidamente e corretamente. Sem ela o ensino da relação letra-som deixa de fazer tanto sentido, já que as crianças sem consciência fonêmica suficiente têm dificuldade de relacionar os sons falados às letras (Savage, 2015). A consciência fonêmica é importante porque desempenha um papel causal no aprendizado da leitura, aprimora o leitor para o texto escrito e ajuda a dar sentido ao ensino fônico (VACCA et al, 2009). A habilidade para desempenhar tarefas de consciência fonêmica é o melhor preditor da facilidade na aquisição inicial da leitura (Stanovich, 1994) e por fim, a consciência fonêmica é um dos principais fatores que separam leitores proeficientes dos ineficientes (Savage, 2015).

  • FIGURA
  • FIGURA

Diante do exposto convém analisar: o retrocesso está no método fônico ou na realidade brasileira que não avança na alfabetização há décadas mesmo após diversas implementações do que se tinha dito como mais moderno na educação, como a abordagem socioconstrutivista, o conceito de letramento e a implementação massiva de métodos globais de alfabetização?

O que julgava-se de mais moderno, como a alfabetização a partir de uma aprendizagem significativa baseada em métodos globais tem como origem premissas do século XIX que já foram devidamente refutadas no século XXI quanto a aquisição da leitura não ser natural e que portanto, não se aprende a ler, lendo. Para Deahene (2012) o método global causou uma ilusão, apesar da realidade vã e ineficaz, pois não corresponde à maneira pela qual funcionam as redes neuronais da leitura. As evidências comprovam que a decodificação grafofonêmica não apenas é relevante, é essencial para a formação do bom leitor e que ela só pode ser obtida a partir de uma instrução fônica baseada na habilidade de manipular e se conscientizar das menores unidades constituintes da fala, os fonemas – através da sistematização presente no método fônico de alfabetização. Dessa forma, a resposta para quem acusa o método fônico de ser um retrocesso deve ser esse último parágrafo que sintetiza a adoção de métodos globais baseado em premissas já refutadas e essas sim, ultrapassadas. Já passou do momento do Brasil implementar o método fônico de alfabetização em larga escala ao longo do território nacional, pois essa sim está associada as últimas descobertas quanto a aquisição da leitura e já é uma realidade adotada em diversos países que tiveram avanços significativos nos seus índices de leitura, como Portugal e Israel.

1 – Decodificar não é relevante e que o objetivo da leitura é construir significados e a criança não deve se distrair com outras tarefas.

As evidências comprovam que a decodificação não é apenas relevante, é essencial para a formação do bom leitor. Para Dehaene (2011), o método global causou uma ilusão, apesar de que fosse vã e ineficaz, pois não corresponde à maneira pela qual funcionam as redes neuronais da leitura. As evidências comprovam que a decodificação não apenas é relevante, é essencial para a formação do bom leitor. Yi et al. (2019) citado em RENABE, 2020 “apontam a existência de uma rede neural que sustenta a leitura, identificada em leitores de diversos sistemas de escrita. Os dados fornecidos por neuroimagens constataram maior ativação cerebral na área responsável pelo processamento da conversão ortografia-som em pessoas que estavam aprendendo a língua chinesa, o que ressalta a constante necessidade do estabelecimento da relação letra-som para quem aprende a ler”.

6 MENTIRAS QUE TE CONTARAM SOBRE O MÉTODO FÔNICO

2 – INSTRUÇÃO FÔNICA É MECÂNICA E

ENFADONHA.

2 – Instrução fônica é mecânica e enfadonha.

Não é verdade se a aplicação considerar atividades dinâmicas de manipulação dos sons da fala. A exercitação é essencial para a fixação de princípios e conceitos, mas isso não pressupõe uma atividade mecânica. Há uma grande desconfiança na instrução fônica explícita motivada pelo medo de que a leitura seja reduzida a exercícios fonêmicos maçantes e rotineiros. Os defensores dos métodos globais comumente alegam que as aulas de fonêmica podem ser ruins para as crianças, podendo inibir as crianças de desenvolver o amor pela leitura, fazendo-as se concentrar em habilidades tediosas, como quebrar palavras em partes. Mas a ciência mostra claramente que, quando o ensino de leitura é organizado em torno de uma progressão definida de conceitos sobre como a fala é representada pela escrita, as crianças se tornam leitores melhores.

Ninguém está defendendo aulas rotineiras e enfadonhas, em que as crianças permaneçam imóveis repetindo fonemas.

3 - MÉTODO FÔNICO NEGA OS USOS SOCIAIS DA

LÍNGUA.

Afirmação típica de quem se opõe a um ensino sistemático (do mais simples ao mais complexo) e considera que textos simples e decodificáveis não tem valor na alfabetização e pressupõe que somente esses textos são utilizados no método fônico. Considera também que todos textos apresentados para a criança devem ser complexos ou com alguma utilidade prática, como receita de bolo, convite de aniversário, agenda de contato telefônico. Tais afirmações são incorretas visto que há valor em todo texto, independente do seu uso social.

4 – QUEM APRENDE A DECODIFICAR PELO

MÉTODO FÔNICO TEM MAIS DIFICULDADE PARA

COMPREENDER O QUE LÊ.

A instrução fônica é apenas um dos componentes de um ensino explícito e sistematizado que visa à plena alfabetização. Outros pilares devem estar presentes na formação do leitor hábil, como o desenvolvimento da fluência leitora, vocabulário e compreensão de textos. Em 1990, Hoover e Gough, postularam uma visão simples da leitura hábil como produto dos fatores: RECONHECIMENTO DE PALAVRAS e COMPREENSÃO DA LINGUAGEM (Leitura hábil = Reconhecimento de palavras X compreensão da linguagem). Em 2001, Hollis Scarborough ilustrou o processo do qual depende a compreensão de textos segundo a teoria de Hoover e Gough. Essa ilustração é conhecida como “O MODELO DE CORDAS”. Para ser um leitor hábil, ou seja, ler um texto com compreensão é preciso adquirir várias habilidades. Algumas delas não necessitam de instrução explícita e sistemática, como conhecimento de mundo, conhecimento morfossintático, raciocínio verbal e familiaridade com livros e outros materiais impressos e resultam na “Compreensão da linguagem”.